domingo, 27 de março de 2011

Xadrez by GARRY KASPAROV




"People think of chess as a logical game, and yes, there is logic, but at the highest level the logic is often hidden. In some positions where calculation is impossible, you are navigating by your imagination and feelings, playing with your fingers. For weaker players, great moves often appear to be stupid. But if you feel the unity, you can do what nobody understands."


GARRY KASPAROV

The Matrix




Esse texto contém spoilers e citações literais e não-literais do referido objeto.


Isso é sobre sentimentos. Saudades. Tantas horas passadas pensando sobre esse filme. Tantas conversas tidas. Uma importância tão grande!


Bom, essa entra na série Clássicos. The Matrix. Descrição não-necessária e alto índice de recomendação.


São tantas referências, tantos argumentos vindos de fontes tão diferentes que não há como não tirar a sua fatia do bolo desse filme.


Historicamente importante para o cinema e ainda atualmente inspirando produtores das mais diferentes mídias, The Matrix (1999) é um filme de uma existência.


Ferramenta para professores, filósofos, cientistas, messiânicos, budistas, ateus, agnósticos, artistas, The Matrix sobra.


Veja e perceba, sobra.


Mas para mim, que já estive próximo de algumas dessas opções acima, The Matrix volta a lembrança com um gosto específico da gosma verde que constitui a sociedade. Eu conheço esse gosto. Você também. E não é bom, nem ruim, é apenas inevitável. Inescapável. A gosma verde tem um gosto muito forte para agora. Mesmo não sendo nem bom, nem ruim, provoca vômito. Justamente porque aniquila todos os conceitos, visto que define o sujeito da conceituação, nós. Que fique para depois! Que haja depois!


Agora quero sonhar com mentes a serem libertas. Pense! Acorde! Acredite! The Matrix grita com nossas mentes o tempo todo. Como um carvalho a ideia começa tímida no filme. Apenas relatando a experiência de um jovem num mundo que dá pequenos sinais de que não lhe pertence. Esse jovem segue sua vida em busca de resposta para esse incômodo pensamento, uma sensação de que a “estrada vai além do que se vê” (Los). E vai.


Numa das várias noites que ele dorme sobre os teclados de seus computadores ele acorda com alguém lhe dizendo através de seu computador invadido: “The Matrix has you...”


E essa foi a introdução para a sua viagem. A constatação de que o mundo que ele conhecia não era real, que na verdade a sociedade humana já não existia mais, mesmo o momento histórico em que ele acreditava que existia era falso. De que tudo que ele conhecia era projetado por programas de computador. Uma prisão para a mente.


Na realidade os seres humanos eram cultivados por máquinas que tomaram a gerencia do planeta e sugavam a energia do corpo humano para se manter em funcionamento e expansão. Dura essa realidade, a constatação de que nada que se tem a sua volta é real, de que tudo o que você percebia e tudo com o que você se relacionava era falso, projetado.


Neo, o personagem de quem falo, segue com as suas descobertas, seu corpo real, sua “realidade real”, muito menos charmosa do que a que ele conhecia antes. E depois do período de negação, ele absorve o seu estado real e ainda se assume como o salvador de todos os seres humanos que ainda servem de alimento as máquinas.


Um tapa de liberdade. Uma exemplificação garantida de que há algo por detrás das cortinas. Seja essa cortina qual for, e seja esse algo o que for também. Você aplica. Veja o filme e aplique. Caso já tenha visto e não tenha visualizado a exemplificação de algo importante, faça-o novamente. Desta vez com pipocas e a mente como uma tela, em branco. Queria ir um pouco mais agora, mas é cedo, deixo para os comentários.


“Wake up!”


K

quinta-feira, 24 de março de 2011

Hugh Laurie e o Blues


Hugh Laurie, o protagonista de House, mesmo sendo um grande ator é também escritor e ainda músico. Pois é! Ele lançou o Livro - The Gun Seller (O Vendedor de Armas) e agora vai lançar um cd de Blues chamado Let Them Talk. A previsão de lançamento é para 9 de maio.

Bom um dos singles chamado You Don't Know My Mind você pode conferir no video abaixo.

Espero que as surpresas a respeito de Hugh Laurie e de seu personagem House não acabem tão cedo...





É... nem sabia que o cara era tão multifacetas assim.

segunda-feira, 21 de março de 2011

Zeitgeist


Quem nunca teve a sensação de que alguma coisa não está certa, de que parece que por mais que tentemos nunca alcançamos o domínio verdadeiro?

Quem nunca teve a vontade de ver por trás das cortinas, de saber quem dá as cartas, de descobrir como as formas e valores chegaram até aqui? Quem os criou?

A verdade é que: será que chegaremos a uma resposta? Será que essa resposta será verdadeira?

Tantos questionamentos são levantados por muitos a cada momento e lembro-me de Matrix onde Neo tem a escolha de poder decidir pela verdade. Mas por inúmeras vezes penso o quanto essa verdade tirou a sua paz, tirou o seu chão e o mais importante tirou o seu conforto que havia na ignorância. Quem estará disposto a provar da mesma fonte?

Zeitgeist é um documentário produzido por Peter Joseph e lançado online livremente via Google Video em junho de 2007. Logo a seguir uma versão remasterizada foi apresentada como um premiere global em 10 de novembro de 2007 no 4th Annual Artivist Film Festival & Artivist Awards. E o que o difere é a forma como são apresentados os assuntos.

Nele você tem a impressão de que alguém realmente está sendo sincero o bastante para ter a coragem de pelo menos tentar expressar um pouco da verdade, alguém quer que você pense. Nem todos querem pensar e muitos não querem que pensemos.

O documentário dividi-se em três partes The Greatest Story Ever Told (A maior história já contada), All The World's A Stage (O mundo inteiro é um palco) e a Don't Mind The Men Behind The Curtain (Não se importem com os homens atrás da cortina).

Após assistir minha mente poderia ser comparada a uma panela de pipocas que começaram estourar. Foram tantos pensamentos e tantas ponderações que ainda não foram digeridas. Na verdade o alimento é denso e a digestão não é tão fácil. Não pelo fato do material apresentado em si, mas pelo fato de todos os infinitos ganchos que surgem...

Lembrei-me do inicio da música Cambalache de Raul Seixas que diz: “Que o mundo foi e será uma porcaria eu já sei. Em 506 e em 2000 também. Que sempre houve ladrões, maquiavélicos e safados. Contentes e frustrados, valores, confusão...”

Gostaria de dizer aqui a percepção positiva para o crescimento intelectual obtida deste documentário e dizer que dessa vez foi mais dois goles do infinito.

quarta-feira, 16 de março de 2011

Planet Earth, série da BBC em 11 capítulos.

Esse texto contém spoilers e citações literais e não-literais do referido objeto.

Assisti essa série inteira. Gostaria de nunca dizer isso. Gostaria de viver 1000 anos e morrer assistindo a um episódio inédito dessa maravilha.

A Planet Earth é uma série da BBC que mostra a vida em diferentes pontos do Planeta Terra. Os episódios são: De polo a polo, Montanhas, Água doce, As cavernas, Os desertos, Regiões polares, As grandes planícies, As selvas, Mares rasos, Florestas sazonais e Profundezas oceânicas. Em cada episódio alguns tapas na cara diferentes. Comentarei sobre alguns, mas assista todos, para que você possa perceber, de fato, algo.

As câmeras: Árvores crescendo desde o seu nascimento até já estarem bem desenvolvidas. Plantas progredindo e buscando seu lugar ao sol. Formigas em estado de infecção por fungos, morrendo e tendo seu corpo completamente dominado pelo cordycep. Mudanças sazonais, degelos, tempestades, chuvas, céus, tudo filmado com câmeras e operações que espantam o espectador a cada tomada. Realmente uma filmagem muito impressionante. Ainda com ótima fotografia e boa sonografia.

A história: Um urso polar macho vagando em busca de comida pelo mar congelado que estava justamente se descongelando aos seus pés. Isso fazia com que ele espertamente ampliasse a distribuição de suas patas para melhorar a sustentação do peso numa superfície instável. Mas a caçada por comida não poderia parar, não havia retorno a essa altura, então ele continua. Nesse momento não há onde ficar sobre quatro patas, então ele começar a nadar, por muito tempo ele nada, já com metade do seu peso ele prossegue, obstinado a encontrar alimento. Muito tempo depois, e eu digo MUITO tempo depois ele encontra terra e pode deixar para traz sua exímia natação. Comida em terra. Mas não será fácil. Morsas. Cada uma adulta com 1,5 toneladas. E presas com meio metro de comprimento. Juntas elas se protegem do ataque. O urso nesse momento já pesa apenas 500 quilos. Mas ele no desespero ataca, e se fere, não consegue, se machuca muito com as facas presas as bocas das morsas. Ele desiste. Faz sua cama. Calmamente. E deita para o seu último sono.

O desafio: Casais de pinguins imperiais se acasalam e os machos ficam chocando os ovos durante o inverno com ventos de 160 Km/h e temperaturas de -60 graus. Eles se juntam e se revezam para se protegerem do longo e escuro inverno. Meses depois, na eclosão dos ovos os machos regurgitam uma refeição guardada desde o inverno para servir de primeiro alimento para seus filhotes. Nesse momento as fêmeas apontam no horizonte, em colônia e com suas barrigas cheias de peixes para alimentar os parceiros e filhotes. Muitos morrem congelados no processo, mas a vida segue para a maioria. Não facilmente, mas muito impressionantemente.

O animal: O camelo foi o animal nessa série que talvez tenha me impressionado mais. Tantos leões tatuados por aí. Leões machos que não caçam porque sua juba quase que idiota os denunciam na corrida. Leões que passam o dia deitados a sombra, economizando energia. Leões tatuados, irritantemente tatuados. Nunca vi um camelo tatuado. Camelo que carrega ½ tonelada sobre si. Camelo que fica meses sem beber água. Camelo que suporta extremas temperaturas para cima e para baixo de zero. Camelo que come uma pequena quantidade de neve que se enquadra entre o necessário para se hidratar e o perto de ser suficiente para se congelar por dentro. Mas é como na maioria dos casos: os supremos não precisam de aplausos. Supremo camelo.

A planta: Já vi tantas lótus tatuadas que nem imagino quantas tenham sido. Bacana a lótus. Nasce, alcança a superfície da água, exibe alguma cor. Legal. Mas também nunca vi um capim tatuado. Esse sim, supremo. Nasce no alagado, na neve, se atear fogo ele volta, se tiver sol e chuva suficientes fica mais alto que um elefante, passa uma manada se alimentando dele, na próxima manada ele já está pronto novamente, cobre grande parte da superfície terrestre, fundamenta a alimentação de tudo que se move na terra. Supremo Capim.

Muito ainda além disso. Tudo passível de diferentes percepções, como deve ser. Fica aqui a forte recomendação. Essa série teve grande impacto para mim. Espero que para você, seja no mínimo, importante. Que seja!

terça-feira, 15 de março de 2011

Don't Panic

Pois é temos a resposta.

De qualquer forma ficou a pergunta e não é possível decifrar as duas, pois uma anula a outra...

O sonho do peixinho dourado que sobrevive dentro do ouvido e dá ouvidos a quem o detêm, os seres mais inteligentes do universo (quem diria que estaríamos em terceiro lugar), as construções dos mundos e as futilidades da vida terrestre são algumas das peripécias que encontramos neste livro.

Quero, portanto expressar minha satisfação na leitura deste livro. Pois em minha opinião a certeza que os horizontes se expandiram mais um gole é sempre o maior objetivo, por mais raso que seja o patamar em que estamos os segredos ainda nos incute e os questionamentos milenares nos perseguem: Porque estou aqui? De onde eu vim? Qual a origem e o fim?

Como cantou Raul Seixas em uma de suas canções “eu sou o inicio, o fim e o meio”. Será que esta é a reposta? Será que somos a explicação? Talvez sim.

Sei que somos quem criou os questionamentos, somos os que descobrem os que encobrem os que nunca estamos satisfeitos e às vezes dizemos que estamos. Nós somos os que queremos respostas, explicações, razões, justificativas e outras minúcias mais. Para que? Pelo que? E os questionamentos continuam e sempre continuaram... São ruins? Não!

Mas quem está disposto a viver uma vida sem respostas e que a cada resposta obtida nasce outra pergunta? (Talvez daí surja o sofrimento). “Mas a dúvida é o preço da pureza e é inútil ter certeza...” Engenheiros do Hawaii, Infinita highway.

Eu pelo menos quero continuar caminhando entre as dúvidas para que haja questionamentos e que com algumas respostas obtidas eu consiga mais um gole do infinito.

O livro O Guia dos Mochileiros das Galáxias é uma aventura por entre esses questionamentos onde casos e acasos são tratados de forma singular pelo autor Douglas Adams.

De qualquer forma o conselho é: Não entre em pânico!

sábado, 12 de março de 2011

Episódio de House, S07E15


Esse texto contém spoilers e citações literais e não-literais do referido objeto.

Acabei de ver o décimo quinto episódio da sétima temporada de House, e o que tenho para dizer é que eu gostaria de gravar meus pensamentos agora para que eu pudesse assisti-los novamente quando quisesse. Isso muito provavelmente ocorreria todos dos dias.

É incrível a percepção que se tem com a quantidade de memórias e associações que podemos fazer acompanhando uma série como essa. É estonteante porque podemos perceber tantos detalhes, tantos argumentos envolvidos, camuflados. Argumentos importantes que foram sendo disseminados em diferentes momentos da série. Nesse momento é como se houvesse fogos explodindo atrás das minhas orelhas. Uma chuva de argumentos antigos se aproximando de argumentos novos. É lindo! Como disse, muitas associações temporais podem ser feitas. Inúmeras.

Algo parecido como uma auto-homenagem tem participação garantida em diferentes momentos do episódio de forma extremamente merecida. As Cuddy dos sonhos, ou melhor, os sonhos da Cuddy. Um momento importante para curtir ótimos atores se divertindo quase que descompromissadamente. Todos se farreando e nos fazendo lembrar a história de seus personagens e nos dando um espaço na carne para sermos mordidos pelo desenrolar do episódio que novamente se movimentará para um sonho.

O tão esperado desleixo do Wilson em relação ao House. Poético. Com direito a frase de efeito no final direcionada ao Foreman que foi parecida com: “Ou ele muda a forma de agir, ou não.” Parece raso, mas numa moldura tão bem contextualizada em algum momento do episódio ficou de uma forma muito impactante. Dá para escrever tanta coisa antes e depois dessa frase. Algo como, por exemplo: “Maluco, deixa o House se fuder para lá. Ou ele muda a forma de agir, ou não. Eu é que não vou lá cheirar o cú daquele filho da puta!!!”. É parceiro. Bagulho foi tenso!

E o fantástico “monólogo” da Cuddy onde o House não teve o que fazer a não ser estampar uma cara de choro e derrota a ouvindo falar e não sabendo exatamente o que responder. E ela mostrando uma veia da verdade muito importante, a de que ele não era apenas viciado em Vicodin, mas também viciado na não-dor. Em quaisquer de suas formas. Daí é só emendar com o que ela continuou dizendo:

“A questão não é sobre o Vicodin, a questão é que você não suporta sentir dor, e por mais que eu tenha tentado, não há como mudar, porque isso é o que te define, isso é o que você é. E para estar com alguém é necessária a aceitação a dor, ao contrário não se pode estar.

Eu sinto muito.”